
O poeta Hindemburgo Dobal estava internado a mais de 10 dias no Hospital HTI em Teresina, mas não suportou uma parada cardíaca e desencarnou hoje dia 22/05/2008.
"Parentes do poeta confirmam que o velório será na Pax União, na avenida Miguel Rosa, enquanto colegas de academia querem levar o velório para a sede da APL.O poeta deixa três filhos, que moram em Brasília e Rio de Janeiro. A ex-mulher do escritor, que mora em Brasília, também recebeu a notícia. O corpo será sepultado no cemitério São José, mas ainda não se sabe o horário.Hindemburgo Dobal Teixeira é de Teresina (17 de outubro de 1927). Cursou secundário no antigo Liceu. Bacharelou-se em Direito na turma de 1952 da Falcudade de Direito do Piauí, tendo sido o orador. Diretor da Revista Meridiano, figura líder da geração vanguardista, tornou-se um poeta respeitado no Brasil inteiro. Fez concurso para Fiscal do Imposto de Consumo do Ministério da Fazenda; membro do Conselho de Contribuites e professor da Escola Superior de Legislação Fazendária, em Brasília. No Governo Médici fez parte da comissão que reestruturou todo o sistema tributário nacional. Posteriormente, comissionado pelo Ministéio da Fazenda, fez cursos e estágios em Londres e Berlim, sendo um dos mais brilhantes e competentes técnicos em legislação e Técnica Fazendária, no país.
Membro da Academia Brasiliense de Letras.Em 1969 Hindemburgo Dobal Teixeira ganhava, com O Dia Sem Presságios, o Prêmio Jorge de Lima (poesia) do Instituto Nacional do Livro. Mas nem sempre a obra premiada é o melhor instante do escritor. "O Tempo Consequente", editado em 1966, é ainda o melhor momento da poesia deste notável poeta.Obras: O Tempo Consequente (1966); O Dia Sem Presságios (Premio Jorge de Lima, 1970); A Viagem Imperfeita (1973); A Província Deserta (1974); A Serra das Confusões (1978); A Cidade Substituída (1978); El Matador (folhetim, 1980); Os Signos e as Siglas (1978); Cantigas de Folhas (1989)."
(reportagem do portal 180graus.com).
H. Dobal
Os Dias
Sobre as águas de um rio onde vareiros
silenciaram suas mágoas.
Sobre outro rio cantado
por lavadeiras,
e o riozinho proclamado
pelos buritizeiros,
sobre os brejos sem nome
onde os riachos começam,
sobre todas as águas
o espírito perene.
Sobre o espírito das águas
que memoraram os dias,
sobre um rio perdido
onde os bichos do mato
beberam o fim da tarde,
sobre um vale pastoral
onde os rios pensam
sobre a música de vida
dos rios reduzidos a um nome
PARNAÍBA
sobre os rios plenos,
os dias consumidos.
Um comentário:
há muito tempo atrás eu andei por aqui e como reativei o blog voltei... que pena que ta parado aí a um tempão! Volte a escrever professor :)
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